terça-feira, 31 de março de 2009
É hora de começar a agir. Cansei de viver passivamente, cumprindo metas. Se existe destino, este é construído a partir dos meus sonhos. Hoje tenho ciência de que a cada sonho, abre-se um novo leque de possibilidades. Basta escolher e caminhar em direção ao que desejo. Esperar tropeçar e cair lá na frente, não vai adiantar. É hora de colocar em prática tudo aquilo que é auto-reprimível. Hora de não perder tempo duvidando de mim mesmo...
O meu, eu garanto
Há mais de meia hora eu espero por um e-mail – ao menos. Como é horrível essa sensação de solidão em frente ao computador, sabendo que milhares de pessoas estão a uns dois cliques de mim. Calma lá! Chegou um. Dois. Três. ... Quinze e-mails em menos de um minuto. Que alívio. Por um momento eu realmente achei que teria sete anos de puro azar. Mas agora, em uma semana eu terei tanta sorte que minha vida nunca mais será a mesma. É, não acredito muito nessas correntes. Mas é melhor não arriscar...
Quem dera...
Filhos crescidos, netos a caminho... E eu aqui, com essa sensação de dever cumprido. Todos os medos superados e começo a viver a vida mais plenamente. Agora sim, consigo valorizar cada momento, sem me preocupar com o amanhã. O hoje pode ser o último amanhã a que tenho direito. Tenho a certeza de ter muito mais ontens do que amanhãs. Há um tempo atrás, isso me assustaria. Mas agora eu sei que a vida é regida por nós. Nada aconteceu de maneira imprevista. Tudo foi consequência dos meus atos. Quem dera eu fosse o Benjamin Button e começar a rejuvenescer com o evoluir do tempo. Levaria uma vida muito mais estável, dominando todas as situações em que me envolvesse. Tá. Eu não estou tão velho assim. Não tenho filhos, nem netos. Muito menos essa segurança toda quanto à vida. Por isso, vou tomar uma cerveja com todas as minhas inseguranças e mazelas.
terça-feira, 24 de março de 2009
Sinceros prazeres
Uma noite no teatro, uma oportunidade a mais de mostrarem suas indefectíveis belezas. Decotes mostram peitos perfeitos – recheados de silicone – e, no rosto, a maquiagem tenta dar vida a rostos petrificados de botox. Vestidos, saltos e laquês adornam essas damas que mais se parecem Afrodites concorrentes, do que mulheres palpáveis.
Logo o primeiro drama da noite. As portas tardam em abrir e a verdade vem à tona: os saltos são altos demais. Mas pose ainda é tudo! Disfarçadamente mudam a perna de apoio, jogando o corpo de um lado para o outro, a fim de esconder o sacrifício da postura.
Enfim abrem-se as portas. Agora o último esforço é descer elegantemente até seus assentos e cruzarem as pernas. Mas é com o apagar das luzes que vem a realidade. Os saltos são discretamente deixados de lado. Dedos e joanetes recebem suas merecidas ventilações. A dor latejante é corriqueira. E agora, felizes e relaxadas, todas se divertem. Entre risos e peidos.
Logo o primeiro drama da noite. As portas tardam em abrir e a verdade vem à tona: os saltos são altos demais. Mas pose ainda é tudo! Disfarçadamente mudam a perna de apoio, jogando o corpo de um lado para o outro, a fim de esconder o sacrifício da postura.
Enfim abrem-se as portas. Agora o último esforço é descer elegantemente até seus assentos e cruzarem as pernas. Mas é com o apagar das luzes que vem a realidade. Os saltos são discretamente deixados de lado. Dedos e joanetes recebem suas merecidas ventilações. A dor latejante é corriqueira. E agora, felizes e relaxadas, todas se divertem. Entre risos e peidos.
sexta-feira, 20 de março de 2009
Amizade Platônica
Fiz uma nova amizade. Ou quase isso. Sabe quando você vê uma pessoa na rua, que parece ser tão amigável, que dá vontade de conhecê-la melhor? Sabe? Então, lá estava eu, no deprimente trânsito do centro. Sem companhia, sem música e muitas buzinas ao redor. Sinais abriram e fecharam umas oito vezes para que eu andasse uma quadra e meia. Para completar esse prazeroso momento, uma garoa fina que mal molhava. O limpador de pára-brisas só borrava o vidro. Eis que, de repente, uma caminhonete sai de um estacionamento e quase bate no carro em que eu estava. Aderi ao movimento dos “buzinadores” e soltei um vibrante “PRESTATENÇÃO, FILHO DA PUTA!”. Antes que eu pudesse me recompor, abriu-se o vidro do outro automóvel. Um simpático senhor colocou a cabeça pra fora e, serenamente falou: “desculpe, meu filho”. Estremeci. Existe alguém sereno em meio a isso tudo... Diante disso, dei a vez ao simpático senhor e passei a segui-lo até o prédio onde entrou. Deduzi que lá seria sua casa. Amanhã vou passar por lá cedinho...
terça-feira, 17 de março de 2009
Leite de Pedra
Pronto. Comecei a primeira linha. Seria isso o mais difícil? A brancura inquietante do papel já foi vencida. O que mais me falta pra escrever algo decente? Sei que não adianta forçar. Quanto mais se insiste sem ter o que escrever, mais besteiras saem. E se eu pegar um objeto aleatório e começar a divagar sobre ele? Posso falar sobre um Porquinho-da-Índia! Não, isso já fizeram - e muito bem. Talvez, se escrever um monte de palavras desconexas e espaçadas, eu possa apelidar a minha falta de criatividade carinhosamente de vanguarda! E, logo em seguida, embaralhar as letras e chamar de pós-vanguardismo. Mas independente das possibilidades, sem idéias não sai nada. Viu?
quinta-feira, 12 de março de 2009
Morte ao pé da videira
Exatos dois anos após o ocorrido, o sentimento que ainda regia seus pensamentos era o de vingança. O isolamento voluntário serviu apenas para aumentar a frieza dos seus planos. Dias atrás, ligou a ela e confessou estar arrependido pelas ofensas lançadas e pediu desesperadamente por um encontro. O encontro, como nos velhos tempos, ocorreu na velha vinícola, agora desativada. Um ambiente mórbido em comparação aos tempos de namoro escondido no parreiral. O cheiro do ar, que um dia havia sido doce como o vinho; agora era azedo, feito vinagre. As poucas uvas que sobraram nos cachos, apodreciam, pois era final de janeiro. E foi neste ambiente que decidiu pôr em prática o seu plano. Amarrada e amordaçada teve seu corpo retalhado, o suficiente para que o sangue escorresse. Durante um dia alimentou formigas. No seguinte, corvos.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Precoce desencanto
Sozinho em seu mundo recordava suas paixões e amizades. Uma a uma, partiram desta para outras vidas. Ninguém se imagina numa situação como esta aos vinte anos. Tudo bem, as paixões somadas às amizades não somavam cinco. O fato é: não tinha perspectivas de melhora. O desânimo o tomara. Por covardia, esperava que o destino brincasse consigo e também o deixasse ficar pelo passado. A sensação de derrota era constante, exceto pelas medalhas que ganhara na natação durante a infância. Nunca teve nada; e o mais triste: nem se espera que algum dia venha a ter.
segunda-feira, 2 de março de 2009
Quente-desejo
Ao final de mais uma noite de carnaval, chegou em casa, vomitou no tapete e reprovou a falta de mira, pois a privada se encontrava a menos de meio metro. Admitiu não ter forças para limpar aquilo e foi pra cama. Antes de dormir pensou em pegar algum remédio, a fim de evitar uma já garantida ressaca. Tarde demais, pegou no sono. Seu último cigarro ainda queimava ao lado da cama, onde logo a ponta do cobertor encostou. Em menos de dois minutos o fogo tomou conta da cama. As chamas lambiam seu corpo. Em meio ao desespero e a certeza da morte, concluiu: nunca havia sido tão desejada.

