Desconforto alheio
Rápido como um susto e profundo como um suspiro. Assim foi o encontro dos dois, após dois anos de desencontros. O que dominava os dois era o desconforto de serem obrigados a se olharem nos olhos, pois se perceberam já próximos. Ele com as mãos nos bolsos da calça e ela prendendo os cabelos na nuca, com um prendedor entre os dentes. Mais tarde ela perceberia que apertara tanto os dentes nesse momento que o plástico do prendedor ficou mastigado. E ele não soube definir no momento, mas as mãos suadas não eram devido ao calor.
Desde o momento em que se perceberam, vindo de encontro, o tempo para chegarem a si não foi suficiente para uma respiração. O silêncio foi total, velando o desconforto de cada um. Até que, um diante do outro, sem diminuir o ritmo das passadas, ele olhou ela (de canto) e resmungou um “opa!”, e ela, também de soslaio: “bem, e você?”. E seguiram, sem olhar pra trás, por menos natural que isso fosse pra cada um.
Ambos passaram o resto do dia procurando lembranças. Do tempo em que acreditavam que dariam certo. Desmotivados pela realidade, seguiram seus rumos, ainda naquele silêncio que dificultava suas respirações.
Desde o momento em que se perceberam, vindo de encontro, o tempo para chegarem a si não foi suficiente para uma respiração. O silêncio foi total, velando o desconforto de cada um. Até que, um diante do outro, sem diminuir o ritmo das passadas, ele olhou ela (de canto) e resmungou um “opa!”, e ela, também de soslaio: “bem, e você?”. E seguiram, sem olhar pra trás, por menos natural que isso fosse pra cada um.
Ambos passaram o resto do dia procurando lembranças. Do tempo em que acreditavam que dariam certo. Desmotivados pela realidade, seguiram seus rumos, ainda naquele silêncio que dificultava suas respirações.


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