Morte ao pé da videira
Exatos dois anos após o ocorrido, o sentimento que ainda regia seus pensamentos era o de vingança. O isolamento voluntário serviu apenas para aumentar a frieza dos seus planos. Dias atrás, ligou a ela e confessou estar arrependido pelas ofensas lançadas e pediu desesperadamente por um encontro. O encontro, como nos velhos tempos, ocorreu na velha vinícola, agora desativada. Um ambiente mórbido em comparação aos tempos de namoro escondido no parreiral. O cheiro do ar, que um dia havia sido doce como o vinho; agora era azedo, feito vinagre. As poucas uvas que sobraram nos cachos, apodreciam, pois era final de janeiro. E foi neste ambiente que decidiu pôr em prática o seu plano. Amarrada e amordaçada teve seu corpo retalhado, o suficiente para que o sangue escorresse. Durante um dia alimentou formigas. No seguinte, corvos.


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