terça-feira, 9 de junho de 2009

Honrando as dívidas

A sensação de cacos de vidro quebrando sob seus pés o deixava confiante, dando-lhe um sincero prazer. A cada passo sua convicção aumentava, inflando seu peito. Não lembrava em nada aquele jovem reprimido, que sempre foi.
Destrinchava cada mágoa e humilhação sofrida. Mas agora a vingança era certa e seria executada calma e vagarosamente, como sempre sofreu.
No mesmo bar de sempre. Entrou e sentou ao lado dos que sempre o diminuíram. Pediu bebidas para todos. Tomou a sua de maneira espantosamente rápida e indiferente; nem sequer limpou o canto da barba, por onde a bebida havia escorrido.
Sacou suas mágoas da bolsa e, num acertar de contas, distribuiu-as sobre os peitos de seus companheiros. O leve, breve e progressivo desespero dos presentes foi consumido totalmente. Logo todos estavam serenamente silenciosos – compartilhando o momento. Seu último rancor usou consigo, acertando as contas com sua breve e limitada existência.

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