segunda-feira, 13 de julho de 2009

Desejos reprováveis

O engraçado (ou nem tanto) é que ela nunca havia reparado na vizinha do terceiro andar. Era a primeira vez que a olhava nos olhos. Sentia seus arderem, tamanha a força daquele. Talvez, por isso, esta foi a viagem de elevador mais desconfortável de que teve lembrança. Foram umas oito horas para subir do térreo até o andar da vizinha.
Agora, trancada em casa, ela se culpa pelo que sente; sabe que não suportará guardar para si, mas não se dá o direito de gozar o seu novo desejo. Repetir para a sua reprovação, não era o suficiente para convencer o seu corpo. Sua respiração era ofegante e a pele esquentava. E, sem ao menos abrir os olhos, percebeu seus dedos, que a tocavam. Não acreditava que cederia fácil a um desejo tão reprovável.
Sendo assim, tinha comprovado: era fraca. Não suportava essa sensação. Desceu convicta ao terceiro andar, onde sabia o que fazer para acabar com suas incertezas. Apertou a campainha por duas longas vezes. Não deu chances para seu novo desejo. Antes mesmo de seu corpo esquentar, dilacerou seu desejo. Como já havia percebido, o arrependimento a tomou sem que tomasse conhecimento do ato. E assim, absorveu todo aquele novo amor, derramado no corredor de entrada e padeceu ali, no chão gelado que exitava em absorver aqueles corpos, unidos pelo desejo.

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