sábado, 17 de janeiro de 2009

Um novo prazer

Ah... Todas aquelas mulheres... Mais novas, sem desconfiar de toda a sua má-fé. Aproveitou o quanto pôde, fez o que quis. Aos poucos experimentou todas. Ou quase isso. Ao esgotar as possibilidades, buscou outros horizontes. Exatos – alguns - anos depois, viu o quanto havia sido vazio. O novo prazer que descobrira – imagine! – estava contido nas mesmas pessoas que desprezara tempos atrás. Estava muito além daquelas bocas, peitos e coxas. Onde estava? Nunca soube definir. Apenas valorizou a sublime realidade de suas amizades.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Aparência real

Achava emocionante essa idéia de que tudo é incerto. Toda aquela filosofia de ter que viver, pois não se sabe quando será o fim. Da boca pra fora, era um ideal. Quando começou a não mais acreditar nisso, esforçou-se para manter as aparências. Mas a realidade tomou conta de si. Hoje ele se sente indefeso, dominado por medos e inseguranças. E o que parecia inesperado, tornou-se realidade: o ontem dava mais prazer do que o amanhã...
O presente?
Apenas para martírios...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Verde, como o céu

Ele sempre soube diferenciar, pelo sabor, as diferentes cores de m&m’s. Mas duvidava da exatidão dos enólogos, quanto à precisão de seus paladares. Foi assim durante toda a sua vida. Nunca contou a ninguém, mas preferia o confeito verde, pois era mais ácido. Gabava-se perante os amigos, que mal sentiam o gosto da cobertura. Só não contava que agora, aos dezenove anos, receberia um diagnóstico que colocaria por terra toda a certeza de superioridade de seus sentidos.
Era daltônico.
O verde era azul.