quinta-feira, 30 de abril de 2009

Gozo, cada um com o seu

Após um dia de trabalho, chegou em casa e abriu aquela cerveja que não saía da sua cabeça a tarde inteira. MERDA! Tava congelada. Não tava nem aí, tomou mesmo assim, sem gás e sem espuma. Afinal de contas, não era uma cerveja ruim que estragaria sua vontade. Em frente ao computador, saciou seu tesão com pornografias virtuais, fumou um cigarro e foi tomar um banho. Ao sair, passou seu desodorante com cheiro de jovem-caçador-de-mulheres e foi ao bar caçar mulheres jovens. Ao sair, falou com Aspargo (seu cachorro): “Se eu chegar acompanhado, finja que está dormindo!”. Como os caninos nunca foram mundialmente reconhecidos como bons atores, mal a porta se abriu, no início da madrugada, Aspargo pulou na perna da jovem, mijando-se todo de emoção.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Alva-solidão

O dia mais uma vez começou com vinte minutos de atraso. Pulou da cama e, diante da janela, deparou-se com a névoa que envolvia tudo, lá fora. A realidade ia do embaçado ao branco total. Tudo assim, num gélido-branco-macio. Como se fosse um algodão-doce sem açúcar. Ainda assim, diferente de um simples algodão. Coçando os olhos, caminhou até o banheiro, onde lavou o rosto. Olhando para o espelho, sorriu. Mas seu reflexo não correspondeu. Compreendia tal atitude, pois há tempos não se envaidecia. Mas decidiu que não era momento de se entender com sua imagem. Bateu a porta do banheiro e deu de cara com a casa vazia, tão gelada quanto a alva paisagem de fora. Voltou ao banheiro, decidida a se reconciliar com sua essência óptica...

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Quaresma em desuso

Era sábado, véspera de páscoa. E eu lá, no bar (vazio) de sempre, exercitando minha ebriedade. Eis que entra um cabeludo e barbudo, com cara de perdido e pede pra sentar comigo. Normal. Em feriados prolongados, só estranhos perambulam por aquelas bandas. O sujeito já puxou a cadeira pedindo uma cerveja e mais um copo. Ao me cumprimentar, vi que trazia suas mãos enfaixadas. O que fez com que ele derrubasse o copo cheio por duas vezes. Conversamos durante exatas duas horas, sobre futebol (o cara era santista), mulher e até sobre teologia. O cara disse que não era teólogo, mas conhecia o assunto muito bem. Parece que o pai dele era envolvido com essas coisas de religião. Ele chegou a comentar sobre os negócios do pai, que ele dava uma mão. Parece que era uma empresa grande, dessas multinacionais. À meia noite, quando o Arlindo (dono do bar) veio mandar a gente ir embora, porque queria fechar, chamei meu novo ébrio parceiro pra irmos à rua do meretrício, a umas duas quadras dali. Mas ele quis dar uma de bom moço e disse que tinha que ir embora. O cara já tava tão bêbado que veio com uns papos de que teria que ressuscitar no dia seguinte. É cada um que me aparece...

Desbravador Urbano - ascensão e queda

Todas aquelas ruas desconhecidas eram um grande desafio. Sempre teve paixão pelo novo. Fosse dia ou noite, jamais exitou em passar por novos caminhos. Estar cercado por cotidianos alheios, aquela sensação de estar descolado da realidade o deixavam seguro. Até que viu sua superioridade e segurança irem embora juntas. Distraiu-se com o rebolar de uma jovem (genéticamente favorecida) e foi de cara no poste.
Passou duas semanas inventando justificativas sobre seu olho roxo.