quarta-feira, 15 de abril de 2009

Quaresma em desuso

Era sábado, véspera de páscoa. E eu lá, no bar (vazio) de sempre, exercitando minha ebriedade. Eis que entra um cabeludo e barbudo, com cara de perdido e pede pra sentar comigo. Normal. Em feriados prolongados, só estranhos perambulam por aquelas bandas. O sujeito já puxou a cadeira pedindo uma cerveja e mais um copo. Ao me cumprimentar, vi que trazia suas mãos enfaixadas. O que fez com que ele derrubasse o copo cheio por duas vezes. Conversamos durante exatas duas horas, sobre futebol (o cara era santista), mulher e até sobre teologia. O cara disse que não era teólogo, mas conhecia o assunto muito bem. Parece que o pai dele era envolvido com essas coisas de religião. Ele chegou a comentar sobre os negócios do pai, que ele dava uma mão. Parece que era uma empresa grande, dessas multinacionais. À meia noite, quando o Arlindo (dono do bar) veio mandar a gente ir embora, porque queria fechar, chamei meu novo ébrio parceiro pra irmos à rua do meretrício, a umas duas quadras dali. Mas ele quis dar uma de bom moço e disse que tinha que ir embora. O cara já tava tão bêbado que veio com uns papos de que teria que ressuscitar no dia seguinte. É cada um que me aparece...

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