terça-feira, 28 de abril de 2009

Alva-solidão

O dia mais uma vez começou com vinte minutos de atraso. Pulou da cama e, diante da janela, deparou-se com a névoa que envolvia tudo, lá fora. A realidade ia do embaçado ao branco total. Tudo assim, num gélido-branco-macio. Como se fosse um algodão-doce sem açúcar. Ainda assim, diferente de um simples algodão. Coçando os olhos, caminhou até o banheiro, onde lavou o rosto. Olhando para o espelho, sorriu. Mas seu reflexo não correspondeu. Compreendia tal atitude, pois há tempos não se envaidecia. Mas decidiu que não era momento de se entender com sua imagem. Bateu a porta do banheiro e deu de cara com a casa vazia, tão gelada quanto a alva paisagem de fora. Voltou ao banheiro, decidida a se reconciliar com sua essência óptica...

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