Verde, como o céu
Ele sempre soube diferenciar, pelo sabor, as diferentes cores de m&m’s. Mas duvidava da exatidão dos enólogos, quanto à precisão de seus paladares. Foi assim durante toda a sua vida. Nunca contou a ninguém, mas preferia o confeito verde, pois era mais ácido. Gabava-se perante os amigos, que mal sentiam o gosto da cobertura. Só não contava que agora, aos dezenove anos, receberia um diagnóstico que colocaria por terra toda a certeza de superioridade de seus sentidos.
Era daltônico.
O verde era azul.
Era daltônico.
O verde era azul.


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