segunda-feira, 1 de junho de 2009

Essências atemporais

O que mais temia aconteceu: ela o viu ali, cabisbaixo. Sentindo-se exposto, escorreu de seu próprio corpo e ficou ali, escondido embaixo da cadeira. Ela vinha se aproximando com aquele sorriso sarcástico e desmoralizador que sempre o fazia sentir diminuído. A vontade era de se esconder em algum lugar do passado. Ou no futuro, onde não corresse mais o perigo de se deparar com uma ocasião tão torturante quanto esta.
Mas, em um lapso de valentia, voltou ao seu corpo, apático e vazio, encheu os pulmões e ia enfrentar seus medos. Contou até três para disparar toda sua mágoa de uma só vez. E ela, superior como sempre, ignorou sua presença, passando reto. Deixando-o mais uma vez com seu desabafo preso em si. E assim ficou, com cada vez mais mágoas que se somavam e alteravam sua essência.
Fechou-se em si, ignorando a preocupação dos seus. E logo, sua pouca estima não passava de lembrança, talvez escondida onde ele um dia quis estar. Sentia-se incapaz de corresponder aos sentimentos alheios. E assim ficou; isolando-se enquanto podia, até o dia em que decidiu não acompanhar o fluxo do tempo.
Ninguém jamais tomou conhecimento de tal decisão.

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