quinta-feira, 21 de maio de 2009

Tesão, amor e obcessão

Quarta-feira à noite. Momento de executar sua masculinidade. A cerveja e o futebol formavam a combinação perfeita para sua vida. Sem contar a nova garçonete: Dolores. Há duas semanas trabalhando no bar, a jovem já tinha perdido a paciência com as insinuações e piscadelas do quarentão galanteador barato. Mas esta noite o nosso paquerador saiu decidido: iria levar aquele belo par de coxas pra deitar em sua cama.
A noite começou perfeita: cerveja gelada, futebol na tela, e uma minissaia que o excitava a cada passada. O jogo acabou, a cerveja subiu e a minissaia insistia em o esnobar. O bar encerrava as suas atividades enquanto ele pagada suas seis cervejas e duas doses de conhaque. Saiu e ficou na esquina, aguardando aquele par de pernas que, indiscutivelmente, hoje seria seu.
Dolores caminhava distraída, ouvindo música em seu novo celular, comprado a prestações. Ao chegar ao ponto de ônibus, foi surpreendida pelo bote rápido, mas impreciso, de seu admirador indiscreto. Sem conseguir parar em pé, projetou-se pra cima da morena. E, antes que ela pudesse reagir, sentiu o gélido punhal que entrava em sua barriga. A dor foi momentânea e sem sangue, pois logo ela perderia seus sentidos.
Foi com grande esforço que o amante conseguiu carregar a jovem até sua casa, do outro lado da rua. Como o previsto, colocou-a em sua cama. Arrancou o punhal de seu corpo, deixando o sangue escorrer no lençol branco. Delicadamente despiu o corpo que não saía de sua mente nos últimos dias. Com muito tesão tocou o negro sexo, já frio e sem amor. Lambuzou-se, naquela mistura de gozo e sangue. Ao final, cobriu-se junto ao seu amor e dormiu. Dormiu leve e satisfeito, como se estivesse realizando um sonho antigo. Agora sim, sabia o verdadeiro sabor do amor.

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