Não-ciclista
O comportamento – e corpo - atlético já o abandonara há tempos. A boemia, com suas bebidas e mulheres, o conquistou. Mas um exercício ele nunca deixou de praticar: andar de bicicleta. Não o ciclismo! Porque, para ele, a palavra ciclismo traz toda aquela idéia de esporte e, consequentemente, de disciplina. Agora, enamorado pela vida desregrada, com frequentes noites mal dormidas, sempre que tem um tempo livre e um dia sem resquícios da noite anterior, pega sua velha bicicleta (dos tempos atléticos) e sai pelas ruas. Costurando pelo trânsito, sente-se com direitos de pedestres e motoristas. Ora circula pelas calçadas, ora pelas ruas, chegando a ultrapassar – sempre pela esquerda - os carros mais lentos. Seus pensamentos vão longe, mas nunca deixa de pensar no melhor caminho, com o menor número de subidas. Essa liberdade sempre lhe deu prazer. Sem contar que se sente só, desgarrado de tudo. Por isso nunca gostou de pedalar acompanhado. Mas isso ele nunca contou a ninguém...


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