De (s) amor
Em meio à escuridão, o que importava era continuar aquela conversa e absorver os deliciosos sorrisos que conseguia arrancar dela. As ondas vinham quase aos seus pés, e a brisa começava a gelar seus corpos. Apesar do conforto do momento, ele só pensava em uma coisa: como traria à tona suas verdadeiras intenções? Trocaria toda aquela saborosa conversa por um único beijo dela. Mas tinha a certeza de que ela não pensava o mesmo. Ou pensava? Decidiu pelo menos arriscado, deu espaço à ingênua conversa a dois, que sobreviveu até o nascer do Sol, frente às ondas. Dominados pelo cansaço, foram embora. Separaram-se no meio do caminho. Ele se martirizando por ter, mais uma noite, sufocado sua paixão pelo simples medo de se expor. Ela tinha a certeza de que as dúvidas, existentes até a noite anterior, não faziam sentido. Triste, mas já conformada, concluiu que não era desejada. Superaram o amor que não teve espaço para nascer e prosseguiram suas vidas infelizes, sem nunca terem sido amados.


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