domingo, 30 de novembro de 2008

In-segurança

Inconformado com a realidade, abriu a janela em busca de algo para contestar. Encontrou apenas o céu irritantemente azul. Não entendia o porquê de as pessoas valorizarem tanto algo tão vazio. Dias nublados são muito mais interessantes, com muito mais detalhes. Logo seus resmungos foram interrompidos pela exuberante vizinha que chegava ao portão do prédio. Incomodado pelo domínio que ela exerceria sobre ele, caso seus olhos se cruzassem, tentou se esconder atrás da cortina. Tarde demais. Inocente ela o paralisou com seu olhar felino. Ali, desprotegido de sua arrogância, o jovem escritor não tinha o que criticar a não ser sua própria insegurança. Como podia ela o dominar com um olhar? Gaguejou um “oi” e logo saiu da janela, como se fosse realmente sair naquele instante. Jogou-se no sofá e se imaginou ao lado dela, protagonizando seu próximo conto. Mas logo desistiu da idéia. Ela era muito egocêntrica...

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